A travessia de Curimataí a Santa Bárbara acontece no Parque Nacional das Sempre Vivas. Ela cruza um dos cenários mais imponentes da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Assim como em Grande Sertão: Veredas, o sertão não é apenas um espaço físico. Ele também representa uma experiência emocional e psicológica profunda. Da mesma forma, a travessia carrega uma atmosfera de luta, mistério e autoconhecimento. O caminho convida o caminhante a confrontar seus limites.
No trajeto, cruzaremos o Espinhaço de norte a sul, com lindas vistas da Serra do Cabral, da Serra do Tigre e de outros panoramas. Desbravaremos o caminho até a imponente Cachoeira da Santa Rita e passaremos por um trecho do cânion do Rio Preto. Caminharemos por campos de rupestres e apreciaremos as veredas e as sempre-vivas. Acamparemos de forma selvagem sob o céu estrelado, próximos a córregos, com paradas para banho que ajudarão a repor a energia da dura caminhada pelo sertão.
A travessia também oferece confronto direto com a dureza do ambiente. Ao mesmo tempo, revela belezas ocultas do sertão. Essas belezas surgem apenas para quem se entrega à caminhada. Elas exigem tempo, atenção e presença. Assim como em Sagarana e Grande Sertão: Veredas, o sertão é um território de contradições. Ele pode ser belo e cruel ao mesmo tempo. Também é acolhedor e desolado, simples e complexo. Essa dualidade define a experiência da travessia. Caminhar por essa paisagem é como entrar em um universo literário vivo. O cenário parece congelado no tempo. Mais do que uma terra, o sertão se revela como um estado de espírito. Nele, o homem encontra sua essência, suas dúvidas e suas certezas.









